quarta-feira, 28 de julho de 2010

Imaculada

    Catarine não o viu entrando. Estava deitada de costas e ele passou as mãos pelas costas da moça, levantando a leve roupa de dormir e deixando à mostra sua pele alva, marcada por os pelos eriçados pelo contato. Levou as mãos até o ombro dela, virando-a e apertando-a contra seu corpo robusto e frio enquanto beijava-lhe o pescoço. Desceu por seus braços e levou as belas mãos da moça aos lábios, beijando-as repetidamente. Catarine sentiu aquele contato nos pés, nas pernas, na barriga, nos braços... ela queria, mas toda vez que se aproximavam do grand finale ele simplesmente saia, como se perdesse as forças. Por que insistiam? Aquela paixão que sentiam um pelo outro era irracional. Para ela, nada na vida conseguiria superar as labaredas que subiam-lhe pelo corpo quando pensava nele. O amado seria capaz de abandonar tudo por ela, mas, afinal, do que valia tudo isso se seria só por uma noite? Nunca mais se veriam... os amantes teriam que escolher entre torturar-se frequentemente ou finalmente deixarem-se levar e amar-se para nunca mais.

    Catarine não o viu sair. Deixou-a deitada, com os olhos vazios de sentimento e cheios de lágrimas. Ela não suportava mais, isso a enfraquecia, mas ela precisava. Era um vício tóxico para aquele corpo frágil e mente confusa.

    Acordou naquele lugar tão conhecido, mas não era o mesmo em que dormira. As paredes brancas e o cheiro de limpeza davam-lhe a sensação de ressaca moral, mas ela estava acostumada. Era o preço a ser pago.

    Aquela mulher baixinha, já conhecida, entrou e fechou a porta atrás de si. Olhou a menina com carinho e sorriu, mostrando os dentes brancos como sua roupa. Aproximou-se e sentou em uma cadeira ao lado do leito de Catarine.

    -Por quê?
    -Digamos que eu seja apaixonada pela morte...

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